setubal_forte

Vivemos dias de incerteza. No entanto cada vez mais se percebe que o mercado imobiliário está a mexer. Conheço bem o sector imobiliário pois trabalhei lá quase 15 anos. Vivi os tempos de euforia e os tempos de desgraça. Segundo dizem os mais antigos, nunca neste sector se viveu uma crise como esta, que está, segundo dizem, a passar…

O que podemos então esperar deste mercado? Vão voltar as facilidades de crédito que existiam antigamente? Vão os preços disparar como antes?

Para fazer futurologia, convém antes de mais olhar para trás.

Encontrei um artigo do Jornal Público datado de 11/01/1999 que ajuda a compreender o cenário que se viveu quando os bancos passaram a oferecer uma alternativa à taxa de indexação Lisbor, a Euribor.

A novidade Euribor, imposta pela criação da nova moeda europeia, (que iria apenas entrar realmente nos bolsos dos europeus em 2002), mas como era natural, os bancos começaram a sugerir aos clientes que optassem pela nova taxa, pois a Lisbor iria desaparecer em breve do cardápio e ainda para mais a euribor estava bem mais baixa.

Para ajudar à festa, o Governo da época, em vez de aproveitar para reduzir drasticamente o crédito bonificado, apenas o limita um pouco mais. Efeito? Bom, foi excelente para os promotores imobiliários e podemos ver porquê:

Os imóveis eram vendidos com base no valor da prestação a pagar, ou seja, um T2 novo nos arredores de Lisboa seria vendido a contar com uma prestação na ordem dos 250 Euros ( 50 contos). Com base neste valor, o promotor vendia o imóvel por 75.000 ou 80.000€ (15.000 ou 16.000cts).

Com a indexação e com o benefício das bonificações. os mesmos 250€ suportavam agora um valor de crédito superior a 100.000€….

Não será necessário muito para perceber que quem lucrou com esses fatores foram os tais promotores, e julgo que também a banca.

A consequência foi esta: Padeiros, Ourives, Sucateiros, etc, tudo veio para a promoção imobiliária. A qualidade dos produtos ficou em causa e principalmente a sustentabilidade financeira dos projectos era pouca ou nenhuma. As avaliações eram feitas a pedido, com os próprios bancos  a pressionar as empresas de avaliação para empolar valores, de forma a conseguirem financiar os clientes, não se preocupando com futuros incumprimentos.  Uma autêntica selva!

E depois, veio a crise e tudo rebentou… Será que estamos preparados para que o mesmo aconteça agora?

Como dizia o meu avô materno quase sempre que via televisão comigo: “Acho que já vi este filme!”…..